Baptismo do Bote Baleeiro Senhora da Guia Imprimir e-mail
Escrito por G.I. Clube Naval da Horta   
13-Jul-2008

Bote Baleeiro Freguesia da Feteira recebeu o seu Bote Baleeiro.

 

 

Foram muitos os que, mesmo debaixo de um sol abrasador, quiseram apadrinhar o baptismo do Bote Baleeiro da Freguesia da Feteira, “Senhora da Guia”, que decorreu na tarde deste domingo, 13 de Julho. O Padre Marco Luciano presidiu à cerimónia que contou com inúmeros feteirenses e convidados.

 

 

A Feteira junta-se, assim, à lista das freguesias que já possuem bote baleeiro no Faial, designadamente Capelo, Castelo Branco, Salão e Angústias, as quais são co-responsáveis pela manutenção deste riquíssimo património móvel da baleação existente na ilha.Bote Baleeiro da Feteira

 

O Presidente da Junta de Freguesia da Feteira, Eduardo Pereira sublinhou “a alegria das Tripulações Feteirenses” em poderem, a partir de agora, usar o seu bote. E frisou, a propósito: “Ter um bote nosso é motivador para quem pratica esta modalidade, possibilitando, ao mesmo tempo, perpetuar a faina da caça à baleia”.

 

Eduardo Pereira disse que “existiram baleeiros na Feteira, mas há já muitos anos”.

 

E acrescentou: “Nomes como os dos irmãos Mário Januário Silva e José Januário Silva andaram na baleação na Feteira, ainda no tempo em que se rebocava à força de braços, ou seja, de remos, ou, então, Gilberto da Silva, ainda vivo, mas a residir na diáspora. Naturalmente que houve muitos, porque esta era uma freguesia de pescadores e, entre eles, existem sempre baleeiros”.

 

Este autarca afirma que “a Feteira tem Tripulações Baleeiras – mistas – há quatro anos e, como tal, gostava de ter o seu Bote. É motivador para elas, porque podem treinar mais, participar em todas as provas e levar a nossa freguesia ao Pico, São Jorge e onde existam provas. É sempre um orgulho”.

 

Instado a pronunciar-se sobre o carinho que a população desta localidade dá a este projecto, responde que começa a constatar que “as pessoas gostam da ideia.

 

Sabem que temos Tripulações Baleeiras e têm alguma simpatia por isto, mas até aqui não eram muito efusivas na demonstração desse interesse. Contudo, já em 2007, por ocasião da Regata de Nossa Senhora de Lourdes, apareceu muita gente e, hoje também, o que é bom sinal. E pode ser que apareça mais jovens, aspecto fundamental no sentido de manter esta actividade que faz parte do nosso património cultural, e que importa preservar”.

 

Até agora, a Feteira conta com quatro elementos femininos, mas Eduardo Pereira está convencido de que a existência do Bote vai “cimentar as condições necessárias para que em 2009 já haja uma tripulação feminina na freguesia”.

 

Quanto ao interesse das novas gerações em manter as tradições, este Presidente realça que “não é qualquer pessoa que pode ser Tripulante destes Botes. É preciso gostar. Nós estamos receptivos a que, qualquer pessoa que queira experimentar, o faça. Se gostar, muito bem. Senão, ao menos teve a experiência. Acho que para nós, enquanto povo ilhéu, é importante termos a experiência de andar num bote baleeiro”.

 

Bote Baleeiro da FeteiraDepois da bênção e das palavras do Presidente da Junta, o Bote foi lançado à água sob as ordens do Oficial, José António. A bordo seguiu a Tripulação, composta por sete elementos, dos quais um do sexo feminino.

 

“Aposta na Secção de Botes Baleeiros do CNH tem de se manter”

 

Eduardo Pereira não acredita que a próxima Direcção do Clube Naval da Horta não abrace este projecto, “que é ímpar, e uma excelente aposta do actual elenco directivo”. Temos visto que, até na diáspora, a envolvência gerada pela Secção de Botes Baleeiros do Clube Naval da Horta, é bastante falada. As freguesias por si só não vão deixar morrer a tradição, mas certamente que será mais difícil se não estiverem agregadas como até agora”, sustenta este autarca.

 

No entender do Presidente da Junta de Freguesia da Feteira, “o Clube Naval tem uma força muito maior do que as freguesias junto das entidades competentes. É uma instituição que está dedicada às provas náuticas, tem experiência e um know-how que que as localidades não têm, e em conjunto somos muito mais fortes do que separados, naturalmente”.

 

Por tudo isso, este dirigente frisa que “é fundamental que a próxima Direcção aposte forte nesta Secção, porque ela pode levar o nome do Clube além fronteiras. Já é exemplo disso, a Regata Internacional de Botes Baleeiros. É preciso fomentar esta prática para podermos evoluir para outras zonas do mundo, porque onde os açorianos estão presentes, principalmente o povo do Grupo Central, fala-se na baleação”.

 

Eduardo Pereira referiu a sua “satisfação” por ter conseguido concluir este projecto de reconstrução do “Senhora da Guia”, salientando o esforço da Junta de Freguesia em conseguir antecipar o baptismo em cerca de seis meses, permitindo que o Bote possa ser usado em quase todas as provas desta época.

 

“Clube Naval da Horta: O grande impulsionador da recuperação dos Botes no Faial”

 

O autarca da Feteira deixou uma palavra de “grande apreço” ao Clube Naval da Horta nas pessoas do Presidente da Direcção, João Pedro Garcia e do Vice-Presidente, Carlos Fontes, que esteve presente, salientando que foi este Clube “o principal impulsionador na nossa ilha da recuperação do património baleeiro. Sem o trabalho desenvolvido pelo Clube Naval da Horta tudo seria muito mais difícil e de certeza que a nossa Ilha teria menos botes recuperados e a Feteira não teria um dia como o de hoje”.

 

O agradecimento foi extensivo à Câmara Municipal da Horta pelo “enorme contributo” que deu a esta causa com a recuperação da lancha “Walkíria”, que é “um bem fundamental nesta actividade”, apoiando toda a actividade da Secção de Botes Baleeiros do Clube Naval da Horta, a João Silveira Tavares, construtor naval das Ribeiras do Pico, que construiu este bote, em quatro meses, demonstrando “empenho e grande disponibilidade para acertar todos os pormenores, dificuldades e alegrias que foram surgindo ao longo do processo de construção”.Bote Baleeiro da Feteira

 

“Senhora da Guia” custou mais de 40 mil euros

 

O Senhora da Guia H7B teve um custo de construção, incluindo casco, velame e toda a palamenta necessária de 40.250,00€, sendo financiado em 85% pelo Projecto BaleiAçor e os restantes 15% pelo Governo Regional dos Açores.

 

O BaleiAçor é um projecto de fundos comunitários a que a DRAC se candidatou sendo a Islândia, o Licheinstein e a Noruega os países financiadores.

 

O “Senhora da Guia” foi construído em 1939 e registado a 14 de Julho desse mesmo ano.

 

Foi agora novamente lançado ao mar e “garantidamente elevará o nome da Freguesia da Feteira e das suas gentes, através das Tripulações que nele andarão. Fará com que os feteirenses mantenham bem presente na memória e no coração, os pescadores e baleeiros da Freguesia que, à Senhora da Guia muitas vezes rezaram em momentos de aflição decorrentes da sua faina”.

 

 

 
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