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Crónica de Paulo Leal: SATA Rallye O rali dos Açores Imprimir e-mail
Escrito por Paulo Leal   
21-Jul-2008

Se não fosse o nosso compromisso com o leitor, que nos leva a tentar descrever um pouco foi o SATA Rallye Açores 2008, bastaria até uma palavra para descrever esta prova: fantástico! Mas uma vez que nos foi impossível escrever uma antevisão, vamos tentar compensar o leitor com esta crónica.

 

O SATA é, de facto, uma prova à parte do panorama automobilístico regional. Quer pela extensão, quer pela beleza e exclusividade de algumas das classificativas que são apenas disputadas por esta altura, quer pelo colorido que os convidados e restantes participantes “de fora” emprestam à ilha nestes dias, quer até pelos custos quase proibitivos que um rali desta envergadura acarreta.

 

O SATA não é mais um rali… quando muito, é o rali que determina o saldo desportivo de uma época. 

 

E a festa começou logo com a excelente apresentação pública das equipas, que permitiu interagir com o público, presente em grande número para conhecer as máquinas e as equipas.

 

Depois das fases prévias do rali, a vertente competitiva teve o seu início com a Super-Especial “Grupo Marques”, em que tivemos a oportunidade de ter milhares de pessoas a acompanhar e a vibrar com as passagens dos concorrentes. Um trabalho exaustivo por parte da organização e da Marques, e uma aposta ganha a toda a linha, que abriu e fechou a prova com chave de ouro.

 

A outra novidade era a classificativa da Coroa da Mata, que prometia dificuldades acrescidas, e cumpriu: o piso estava absolutamente demolidor, especialmente devido à sua juventude. Embora tenha algumas zonas interessantes, com bastante variedade – umas partes muito rápidas, outras muito técnicas e estreitas – o que é facto é que não conquistou a minha preferência. Embora seja importante criar novas classificativas para substituir as que se vão asfaltando, estou em crer que não será a Coroa da Mata a fazer esquecer um Pico da Pedra ou um Achada das Furnas, e isto para apenas referir as classificativas mais habituais nos figurinos das provas micaelenses.

  SATA Rallye 2008

 

Na sexta-feira percorreram-se por duas vezes as Feteiras, Sete Cidades e Pico da Pedra, todas com um piso em muito boas condições e com a agradável presença do sol, porque todos temíamos a presença do nevoeiro nas ratoeiras das Sete Cidades. Já na segunda especial do dia o nosso Mitsubishi nos começou a pregar umas partidas, parecendo perder força a subir. O problema, que se concluiu ser de electrónica, foi-se agravando ao longo do dia, apesar da persistência da nossa equipa de assistência, que fez tudo o que estava ao alcance para resolver o problema. Só que estas modernices têm destas coisas, e por vezes só a boa vontade não chega.

 

Sábado era o dia de percorrer algumas das mais míticas especiais da ilha de S. Miguel: Planalto dos Graminhais, longo, duro e muito variado; Tronqueira, igualmente longa, dura, e com um encadeado de curvas extraordinário mas extenuante, terminando a ronda matinal com a “curta” especial da Ribeira Grande, com as sempre interessantes passagens pelas ribeiras, que são normalmente muito procuradas pelos fotógrafos. Na segunda passagem pelo Planalto dos Graminhais, depois de muito protestar e refilar, lá o nosso Mitsubishi se recusou definitivamente a colaborar connosco, obrigando à desistência. Bem que podia ter escolhido um sítio mais próximo…

 

A última secção, constituída pelos exigentes 14,75 km da Marques e pelo tormento que foi a segunda passagem pela Coroa da Mata – que estava demolidora – prometia ter uma palavra a dizer na classificação geral, premiando quem arriscasse mais um pouco e conseguisse manter a mecânica sem mazelas de maior, mas tal não se veio a verificar, uma vez que as posições já estavam bastante definidas, servindo a super-especial para encerrar em beleza a vertente competitiva deste SATA Rallye Açores 2008. A verdadeira cereja em cima do bolo.

 

Para a história fica a vitória, que sorriu pela primeira vez à Peugeot e a Bruno Magalhães – que está com uma pedalada de outros campeonatos rumo à vitória no Campeonato de Portugal de Ralis – secundada pelo Peugeot 207 S2000 privado de Vítor Pascoal que parece estar a conseguir finalmente as afinações correctas para a sua máquina. O terceiro lugar ficou para o Punto S2000 oficial guiado por José Pedro Fontes, que está muito rápido (ganhou o dia de sábado), mas não tem conseguido materializar essa rapidez em resultados.

 

Cá entre os açorianos, há duas contas a fazer: a classificação final geral e a classificação dos que pontuam uma vez que essa pontuação está dependente de uma pré-inscrição no Campeonato dos Açores de Ralis por parte daqueles que estão interessados em disputá-lo. A vitória foi para a despedida de Horácio Franco, que todos lamentamos, mas em que ninguém verdadeiramente acredita, depois de um rali feito a um ritmo excelente para quem está parado, mas os pontos da vitória vão para Fernando Peres, uma vez que Franco não está inscrito no Campeonato. Peres foi, então, segundo classificado, depois de um furo e da quebra do diferencial traseiro. As posições seguintes foram para Ricardo Moura, que terminou num bom oitavo lugar, depois de um rali com alguns problemas, mas que equivale a um segundo lugar para o CAR, para Luís Rego, que faz quarto lugar mas não pontua, enquanto Carlos Costa, que andou quanto baste com o Saxo S1600 termina no quinto lugar entre os açorianos, que representa o terceiro lugar nas contas finais, e igualmente a vitória entre a F3 e o grupo A. Uma excelente operação para o popular “Lancha”, que vê assim aumentar a distância para um azarado Pedro Vale e para um surpreendente Bruno Amaral, que tem primado pela consistência e rapidez, nesta época de estreia com o Citroen Saxo, que está uns bons furos abaixo da concorrência. Na Fórmula 2, reservada a viaturas entre 1601 e 2000cc, foi Fernando Amaral que deu cartas, em mais uma demonstração de que a sabedoria se vai acumulando ao longo dos anos: aos 60 anos, está mais sábio que nunca e tão regular como sempre, mas não se confunda regularidade com lentidão… regular mas rápido!

 

ralistamaria2008.jpgSegue-se uma fase de asfalto, com duas deslocações sempre aguardadas com expectativa: o Sol de Santa Maria e o espectáculo que se aguarda com os 30 anos do Rali Ilha Lilás. Num momento em que a luta no campeonato está ao rubro – apenas dois pontos separam Fernando Peres e Ricardo Moura, apesar da ainda nítida diferença de andamento entre ambos – o asfalto é o sítio certo para o tira-teimas. Quanto a nós, a moral está em alta e o carro está a ser visto a pente fino, para tentarmos recuperar o atraso que já temos nas contas do Campeonato.

 

Até Santa Maria!

 

 

 
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