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Canoísta de Alta Competiçao no Faial Imprimir e-mail
Escrito por G.I. Clube Naval da Horta   
31-Jul-2008

Jorge Castro canoista de alta competicaoJorge Castro é convidado do Clube Naval da Horta para participar nas provas de Canoagem do Festival Náutico

 

O convite para o atleta de alta competição, Jorge Castro, participar nas provas de Canoagem que se realizam sábado e domingo próximos (2 e 3 de Agosto) no âmbito do Festival Náutico, organizado pelo Clube Naval da Horta, partiu do monitor da Secção de Canoagem deste Clube, Francisco Garcia.

Jorge Castro é um jovem de 19 anos, que já alcançou o patamar de atleta internacional e que se dedica de corpo e alma à Canoagem.

Nasceu em São Miguel e lá conheceu Francisco Garcia, que foi seu monitor de Canoagem, quando fazia parte do plantel do Clube Naval de Ponta Delgada.

Apesar de a vida o ter levado para o Continente, e de estar a representar as cores do Clube Náutico de Prado, no Norte do país, manteve sempre o contacto e a amizade com o seu antigo treinador.

As idas ao Continente do consagrado canoísta do Clube Naval da Horta, Clife Pedro, proporcionaram um contacto mais estreito entre estes dois atletas e fizeram com que um acompanhe o percurso do outro. Daí até a este convite, foi um click.

Jorge Castro recorda que já em 2005, como Cadete de 2º ano, também esteve no Faial por altura da Semana do Mar, e participou nas Provas de Canoagem como atleta convidado do Clube Naval da Horta.

Este jovem diz que aceitou o convite “em prol da Canoagem e com o sentido de ajudar em tudo o que for possível para os canoístas faialenses melhorarem a sua performance na água”. E sublinha: “Vim não só para os atletas do Clube Naval da Horta verem como rema um canoísta de alta competição mas, para se aperceberem da mentalidade necessária, e para aprenderem como se deve estar numa prova. Vou tentar ser uma espécie de modelo”.

O canoísta internacional refere que “um atleta que quer ter o melhor a nível nacional e internacional não pode dar-se ao luxo de fazer saídas à noite antes das provas”, garantindo que “há tempo para a diversão, para o trabalho e para tudo o mais”. E remata, a propósito: “Sair de vez em quando, à noite, até faz bem a um atleta para desanuviar e obter mais rendimento no treino, no sentido de estar bem psicologicamente. Mas, grandes farras, só no tempo de férias, que são muito curtas”.

Questionado sobre o grau de disciplina que um desporto desta natureza traz à vida de um jovem, responde assim: “Quando se ganha uma medalha de nível internacional, vale a pena todo o sacrifício, porque é para isso que se treinou. Depois de estarmos no pódio e vermos a nossa bandeira subir, sentimos que tudo valeu a pena”.

Para um atleta de alta competição, “o período de interregno aconselhado é de cerca de duas semanas, sem fazer nada”.

De resto, “convém manter treino na água, corrida, ginásio e natação, pois um atleta internacional não pode parar o treino durante um mês, sob pena de perder o que ganhou”.

 

 

Clife Pedro tem margem de evolução

 

 

Jorge Castro conhece o percurso do Clife e sabe que “os resultados deste faialense nas Taças de Portugal não foram melhores devido às condições de treino”. No entanto, considera que “após este mês de treino no Centro de Alto Rendimento, em Montemor-o-Velho, e de ele se habituar à água doce - que é mais pesada - ao barco e ao equilíbrio do deste, notou-se uma melhoria na prestação do Clife”, que é Júnior de 1º ano. “Ele tem margem de evolução. É preciso trabalhar bem, mas conta com um treinador empenhado”, salienta.

Este canoísta de alta competição não tem dúvidas de que se Clife Pedro “tivesse outras condições de treino poderia ir muito mais longe”. E explica: “Eu obtive estes resultados não por ser um atleta extraordinário, mas porque me ajudaram desde bastante cedo. O tempo foi-me proporcionando as condições que me permitiram evoluir. Sem o acompanhamento necessário não se chega a lado nenhum. É fundamental ter todos os factores a jogar bem, embora o atleta também tenha de ser uma pessoa equilibrada e possuir potencial”.

Jorge Castro sustenta que a jovem promessa da Canoagem no Faial “vai no bom caminho, mas se quiser evoluir na modalidade terá de sair dos Açores, e para obter altos resultados internacionais, só fora de Portugal”. “Tudo porque – salienta – “o nosso país está muitos anos atrás das grandes potências mundiais, como a Alemanha, a Hungria ou a Polónia”.

“A minha geração – eu, o João Figueira e o Fernando Pimenta – destacámo-nos devido ao acompanhamento que tivemos e pelas capacidades físicas. Temo-nos debatido com os considerados ‘grandes do mundo’. Até mesmo no Mundial de Juniores, na final, em que há nove barcos, ficámos em 8º lugar, e a embarcação que vencemos foi a dos alemães, tidos como dos melhores do mundo”, realça este jovem.

Jorge Castro refere que “em termos de países, o melhor é a Hungria. O número de medalhas e de pontos nos Mundiais, Jogos Olímpicos e Europeus, é sempre disputado pela Alemanha e pela Hungria. Há muita gente que já sabe de cor os hinos daquelas nacionalidades”.

 

 

“Muito treino e disciplina”

 

 

Quando Jorge Castro tinha 10 anos, participou no Campo de Férias do Clube Naval de Ponta Delgada, em que a Canoagem era uma das modalidades existentes, e o monitor disse-lhe que ele tinha jeito.

Actualmente, tem um grande gosto por esta modalidade, vendo-a como um compromisso que tem para com a Federação Portuguesa de Canoagem, o Clube que representa e todos aqueles que o apoiam.

É um desporto “bastante exigente”. E só para dar um exemplo, nos últimos tempos este atleta tem treinado cerca de 4 horas e meia por dia.

Levanta-se às 6 da manhã e diz que “os horários têm de ser disciplinados”, caso contrário não consegue alcançar os propósitos traçados.

Enquanto frequentou o secundário, foi “perfeitamente possível” conciliar os estudos com o desporto. Este ano, embora já tenha ingressado na universidade, não está no curso desejado – medicina. Por isso, o teste ainda não funcionou a cem por cento.

Sustenta que este ano lectivo se vai candidatar ao curso desejado, e assegura que “a Canoagem é para manter”.

Nesse campo, conta com o estatuto de atleta de alta competição, que lhe permite escolher as datas dos exames, por forma a não serem coincidentes com as provas, já que não tem tanto tempo para estudar como os colegas.

Interrogado sobre a existência de historial desportivo na família, nomeia o primo David Castro, jogador de andebol no Sporting, na Horta, e o irmão mais velho, que já foi campeão regional de natação. E diz, a sorrir: “É uma família multifacetada”.

“Sempre” sentiu o apoio da família e “a compreensão dos verdadeiros amigos”. Quanto a namorada, ainda não apareceu ninguém que o arrebatasse.

 

Percurso

 

Jorge Castro começou no Clube Naval de Ponta Delgada, tendo ganho os Regionais aos 13 anos de idade.

Aos 14, participou no Campeonato Nacional, foi Vice-Campeão Nacional de Promessas e Campeão Nacional de K1 – 1000m e de K1 – 500m.

Aos 15 anos, como Cadete de 1º ano, foi 4º classificado em K1 – 1000 e 6º em K1 – 500.

Mudou-se para o Continente e integrou-se no Clube Náutico de Prado. Como Cadete de 2º ano, com 16 anos, fez a sua estreia internacional, em Itália, no Festival Olímpico da Juventude Europeia, tendo ficado no K2 – 500m em 5º lugar, no K4 – 1000m em 4º lugar e no K4 – 500m, em 1º lugar.

Nesse mesmo ano – 2005 – no Campeonato Nacional, ficou em 2º lugar no K1 – 1000 e em 1º no K1 – 500m.

Já no Escalão Júnior, de 1º ano, foi ao Europeu dos Juniores, na Grécia, tendo ficado em 9º lugar no K4 – 1000, e em 6º no K4 – 500m. 

No Campeonato Nacional alcançou o 4º lugar no K1 – 100m, o 3º no K1 – 500 e o 1º no K1 – 200m.

Como atleta Júnior de 2º ano, em 2007, foi a uma prova internacional na Alemanha e ficou em 3º lugar no K2 – 1000 e em 2º no K2 – 500.

No Campeonato Mundial, alcançou o 12º lugar no K2 – 1000 e o 8º no K2 – 500.

Depois veio o Europeu, em que se sagrou Vice-Campeão, tendo ficado em 4º lugar no K2 – 500 metros.

No Campeonato Nacional, no K1 – 1000m ficou em 3º, no K1 – 500m, também ficou em 3º lugar e no K1 – 200m, alcançou o 2º lugar.

Este ano, já como Sénior de 1º ano, treinou para ficar apurado para os Jogos Olímpicos de Pequim. O apuramento ia ser tentado no Europeu, em Milão, mas dois meses antes da prova não atingiu, por pouco, os resultados necessários, em Portugal. Como tal, não participou em nenhuma prova internacional devido a um desentendimento com o treinador, situação que já está ultrapassada. Assim sendo, ficou-se pela participação no Campeonato Nacional, realizado no último fim-de-semana, classificando-se em 6º lugar na prova K1 – 1000m, em 2º no K4 – 1000m, em 4º no K4 – 500m e em 5º no K1 – 200m.

Jorge Castro considera ser “um bom resultado” tendo em conta que este foi o seu primeiro ano na categoria Sénior, lembrando que “há seniores com outro calibre e experiência”. E conclui: “Agora também tenho mais anos para evoluir neste escalão”.    

 

 

 
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