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Entrevista: Francisco Lobato Imprimir e-mail
Escrito por G.I. Clube Naval da Horta   
13-Ago-2008

“Soube muito bem ser o primeiro a chegar, e ainda mais por ter sido à frente dos Protótipos”

 

O último concorrente da Regata Les Sables/Les Açores/Les Sables chegou ao Faial cerca das 14h00 de domingo (dia 10 do corrente).

Tal como já foi noticiado nesta Página, a entrega de prémios da 1ª perna tem lugar na tarde de segunda-feira, dia 11, no decorrer de um jantar, no Fayal Resort Hotel, mas a largada da 2ª perna, rumo a Sables d’Olonne, ficou adiada de terça (12) para quarta-feira, dia 13, devido a este atraso na chegada à Horta.

Recorde-se que o 1º a cruzar a linha de chegada foi o único português em prova, Francisco Lobato, que desde sexta-feira passada se encontra no Faial.

Instado a relatar a forma como decorreu esta 1ª fase da Regata, Francisco Lobato diz que “de uma forma geral, correu bem”. E acrescenta: “Estou muito satisfeito com a forma como decorreu a prova, com a minha táctica e como geri a vida a bordo e o factor risco. As condições que tivemos de enfrentar, além de serem contrárias e más – vento muito forte e contra – eram bastante alietórias. Estava tudo muito incerto. E, como tal, ganhar nestas condições, foi muito bom”.

Este velejador confessa que tinha vários objectivos, “onde se inclui não apenas o resultado em si”, mas tudo aquilo que acima referiu. Francisco Lobato

Recorda que, em termos psicológicos, a última Transact que realizou foi “particularmente complicada”, tendo em conta que foi o número do ranking mundial e, que, em 2006/2007 ganhou praticamente todas as regatas do circuito. Assim sendo, confessa que foi confiante para a Transact. Mas lembra que um mês antes – em Julho de 2007 - teve um acidente por causa do mau tempo com que se deparou no Golfo da Biscaia, em que o barco virou e teve mesmo de ser salvo.

Francisco Lobato afirma que nesta Regata queria fazer um resultado tão bom como aquele que conseguiu há dois anos, em que foi o 1º. Por essa ordem de ideias, “fazer melhor era impossível”, mas isso acabou por acontecer na passada sexta-feira, pois além de ter sido uma vez  mais o 1º a cá chegar, fê-lo à frente dos Protótipos, barcos que são muito mais velozes que os de Série, como é o dele. “Cheguei à frente dos Protótipos, e isso faz muita diferença, porque eles são mais rápidos.  Chegar, e ainda não estar cá nenhum dos outros concorrentes, foi uma sensação muito boa”.

Por isso, este velejador salienta: “Em termos de resultados concretos, foi tão bomo como há dois anos, mas há a acrescentar esta pequena surpresa de ter chegado à frente dos Protótipos, o que é extremamente bom”.

Quando confrontado com a questão de já ter pensado nesta vitória, responde: “Vinha à frente, mas uma coisa que cansa e mói muito, é o stress de as condições mudarem. Vinha no grupo da frente nas últimas 130 milhas. Éramos 3 barcos, e vínhamos constantemente a ultrapassarmo-nos. Na Terceira, fui ultrapassado e passei para segundo. Depois, consegui apanhar o meu adversário entre a Graciosa e São Jorge. Mas aí, tivemos parados todo o dia por falta de vento. Não sabíamos quem ia ganhar, e a chegada estava mesmo aqui. De repente, começou a entrar vento, e eu consegui arrancar e eles ficaram lá parados na calmaria. Na ponta de São Jorge estava tudo por decidir, e foram dois dias sem dormir. No último dia não comi nada. Não havia tempo para parar. Foi um stress constante, o que faz com que isto saiba muito bem. De São Jorge até aqui vim um bocadinho mais calmo, porque os outros já estavam para trás, mas há sempre o medo de que aconteça qualquer coisa e, que, à última da hora se parta algo no barco. E em segundos, o esforço e a dedicação de tanto tempo podem ir por água abaixo.

Depois de apanhar vento ali em São Jorge, e no meio do Canal, entre o Pico, encontrei outra zona de calmaria, e fiquei novamente nervoso”.

 

“Espero que a viagem de regresso seja melhor”

 

Francisco Lobato espera que as condições do percurso inverso sejam melhores já, que, para cá “foi muito duro, e um grande número de velejadores chegou com material danificado”. Ele próprio também tem “pequenas mazelas no barco”.

Mas mesmo assim, “o balanço é positivo”, ainda mais porque o português parte para esta 2ª etapa com alguma vantagem, uma vez que o 2º classificado tem duas horas de atraso e o 3º, 8.

Este jovem velejador – 23 anos - gostava de acabar o seu curso e, de, em 2010 se dedicar “exclusivamente à Vela, como profissional”.

De salientar que ele faz Vela desde que se lembra, e que começou no mundo da Vela Oceânica em 2006.

 

 “Há um esforço financeiro pessoal muito grande porque não tenho patrocínios e sou estudante”

 

Como também já foi referido, o BPI retirou o patrocínio a este skipper que, por isso, está a fazer um esforço financeiro pessoal “muito grande”, ainda mais se tivermos em conta que é estudante.

A retirada do patrocínio teve a ver com medidas da Direcção daquela instituição bancária e aplicaram-se, também, a outras modalidades que o Banco vinha apoiando.

Francisco Lobato conta apenas com parceiros, como estaleiros, onde consegue arranjar o barco, ou a Marina de Cascais, onde pode atracá-lo.

Ainda assim, este campeão agradece o apoio recebido por parte do BPI e gostava que “em Portugal houvesse mais concorrentes”, pois essa seria uma maneira de poder treinar no seu país e, de, “os responsáveis despertarem para o apoio a este tipo de eventos”.

 

 

 
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