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Crónica de Paulo Leal: Rali de Santa Maria: Muito sol e muita competiçao! Imprimir e-mail
Escrito por Paulo Leal   
13-Ago-2008

Caído que está o pano sobre o rali de Santa Maria de 2008, podemos afirmar com alguma segurança que as águas se mantêm calmas no que ao Campeonato dos Açores de Ralis diz respeito, com a vitória de Fernando Peres sobre Ricardo Moura a garantir quatro pontos de vantagem nas contas pelo título. Mas é inegável que a competição esteve mais acesa que habitualmente, uma vez que o jovem piloto micaelense mostrou um andamento mais rápido que até agora tinha feito, rodando muito perto dos tempos – e recordes – rubricados pelo veterano portuense.

 


 

O rali deste ano teve um traçado idêntico ao das três edições anteriores, num esquema de 3 especiais disputadas por duas vezes durante a manhã (Saúde/Avenida, Salto/Forno e Stª Bárbara/S. Pedro), a que se acrescentam duas especiais durante a tarde (Praia/Almas e Stº Espírito/Monteiro), totalizando 93,38 km de especiais. Trata-se de um esquema funcional e extremamente compacto, mas que já merecia algumas mexidas por parte da equipa técnica do Asas do Atlântico, até porque algumas das especiais são percorridas em sentido contrário durante as ligações da secção complementar, o que causa alguns arrepios durante os reconhecimentos, mas não se tem visto grande vontade de mudar para os lados da ilha do sol. Não se entenda que este seja um mau esboço para o rali, longe disso… Apenas defendemos que as coisas devem evoluir, melhorar, para não se tornarem repetitivas.Rui Moniz no Rallye Santa Maria

 

Há, porém, um aspecto em que o rali de Santa Maria é único: devido à sua realização no início de Agosto, é natural a fusão entre o aspecto desportivo e o lazer, sendo muitas as equipas que, após os reconhecimentos e nos dias que os antecederam frequentam as várias zonas balneares ou as muitas esplanadas da ilha. O rali empresta um colorido diferente à ilha e os marienses retribuem com simpatia e acolhem de bom grado a invasão ruidosa, com aroma a pneus e gasolinas. Contudo, nem tudo é festa na ilha dourada, uma vez que o rápido e exigente traçado deixa frequentemente – e este ano não foi excepção – marcas profundas nas máquinas dos pilotos menos acautelados perante as dificuldades dos troços, que são rápidos mas muito técnicos e exigem um profundo conhecimento das dificuldades e das armadilhas em que são pródigos.

 

Quanto a nós, iniciámos o rali numa toada cautelosa, procurando impor um ritmo que nos permitisse correr um mínimo de riscos possíveis, mas que nos permitisse manter próximos dos nossos adversários mais directos. E, esta estratégia deu os seus frutos, uma vez que nos permitiu rodar regularmente pelo sexto lugar, obtendo ocasionalmente um quinto lugar na primeira passagem por Santa Bárbara/S. Pedro, e permitindo manter uma escassa distância de 15.9 segundos para o quinto lugar de Carlos Costa, no competitivo Saxo S1600. Mas a sorte nem sempre acompanha os audazes, e um inoportuno furo na sétima especial deitou por terra as nossas aspirações competitivas… Ainda procurámos continuar com o pneu furado, mas quando este se começou a degradar, fomos forçados a parar e a trocá-lo em plena classificativa. À dificuldade do local escolhido, se acrescentarmos algum nervosismo fica a receita para os quase oito minutos perdidos na especial, que nos fizeram cair lugares em catadupa. Recuperando o nosso andamento habitual, ainda recuperámos até a um longínquo 18º lugar à geral, a que corresponde um sétimo lugar nas contas do Campeonato e que se traduz por dois magros pontos para o somatório. Depois de preparar afincadamente o rali e da nossa equipa de assistência ter feito um trabalho irrepreensível na resolução dos problemas que ensombraram a nossa participação no SATA Rallye Açores, fica um sabor a pouco na boca, que só é aligeirado pela consolação de que o carro esteve em boa forma, o que nos permite encarar as restantes duas provas do calendário com mais tranquilidade. Se é certo que os nossos objectivos de nos classificar nos cinco primeiros do Campeonato estão mais longe, não é por isso que vamos baixar os braços.

 

Segue-se o Rali Além Mar Ilha Lilás, que se disputa a 5 e 6 de Setembro, que se vai vestir de cerimónia para assinalar os 30 anos de ralis oficiais na ilha Terceira, com toda uma série de novidades e iniciativas para comemorar uma data tão bonita com pompa e circunstância.

 

Foto: Júlio Cabral

 

 
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