Francisco Lobato vence Regata Les Sables-Les Acores-Les Sables
Escrito por G.I. Clube Naval da Horta
22-Ago-2008
O único português em prova, o
jovem Francisco Lobato, está de parabéns por ter ganho a Regata Les Sables-Les
Açores-Les Sables, a bordo do “Looking For...”.
Depois de ter sido o primeiro a
chegar à Horta, na 1ª perna desta Regata, Francisco Lobato voltou a ganhar a 2ª
no regresso a Sables d’Olonne, mostrando que nem sempre os barcos mais velozes
conseguem os maiores feitos.
Aqui fica o depoimento do campeão
na primeira pessoa:
"Houve de facto muito mar! Vagas até aos 8 metros muito cavadas.
Confesso ter tido medo, pois no ano passado o acidente [o barco virou-se de
lado, enrolado numa vaga]. Os barcos são realmente muito pequenos, mas lá
conseguimos passar. Estou contente por ter chegado, tendo em conta que esta
regata foi muito difícil, comparando com a de 2006 [onde o Francisco ganhou a
sua primeira travessia em solitário].
É fantástico sair dos Açores, içar o spi [vela balão] e assim fazer quase todo
o percurso. Apesar de termos tido mau tempo houve ainda umas noites muito
bonitas... sem lua, a andar perto dos dez nós, um céu forrado de estrelas, sem
barulho, somente o rasgar da água pela proa do barco que desliza sobre o mar,
cheio de animais, golfinhos, pássaros e uma baleia! É mágico...
Comparando com 2006 a
regata foi diferente. Houve talvez um nível menor e muitos abandonos, em
particular nos protótipos -, mas a regata começa antes da largada, quando nos
preparamos e quando se prepara o barco. O tempo duro fez a triagem. Quando eu
cheguei em primeiro absoluto aos Açores, (ilha do Faial) fiquei surpreendido
mesmo depois de ter ganho essa etapa em 2006. Isto apesar de estar habituado a
chegar em primeiro ou segundo, noutras provas, tirando a Transat, onde tive
grandes problemas a bordo. Habitualmente há uns quantos protótipos que já
chegaram, mas desta vez, foi um sonho ter terminado em primeiro com um barco de
série. Agora ganhar as duas etapas e a classificação geral, não é lógico pois
os protótipos são mesmo mais rápidos...
Há dois anos puxámos mais pelos barcos, mas desta vez, dadas as condições do
tempo, houve que ser prudente. Fomos massacrados na primeira etapa... e houve
que gerir o retorno, por vezes perto da sobrevivência. Era necessário saber
levantar o pé. Mas eu fiz jornadas fantásticas com pontas de 20 nós e surfadas
de 16 nós.
Esta época foi muito difícil para mim porque não tive main sponsor e tive de
auto financiar. Usei as velas do ano passado, e pude somente fazer uma
optimização mínima no estaleiro, de Inverno. Espero encontrar um parceiro para
a próxima Mini Transat... e para o futuro gostava de tentar o Solitário na
classe Figaro.
O percurso é muito interessante e mais duro que a Mini Transat. Há mais parâmetros
estratégicos a apreender com o anticiclone dos Açores, as depressões, as
frentes, as dorsais... Há mais portas que se abrem e que se fecham, mais campo
de expressão táctica. É estimulante e "meteorologicamente" mais rico.
O barco está em bom estado. Eu não parti nada tirando o pau de spi, porque o
vento subiu de repente para os trinta nós, enquanto navegava com o spinnaker e
o barco largou a surfar a fundo enquanto eu dormia no interior. Felizmente eu
tinha um tubo de reserva e tirando isso, não tive nenhum problema técnico.
Aprendi muito nestes últimos anos. Há dois anos eu não tinha quase experiência
em navegar ao largo e desta vez eu era uns do que tinha feito mais
milhas."