Efeitos do exercício físico na Diabetes Mellitus tipo I e II Imprimir e-mail
Escrito por Bruna Rosa   
21-Fev-2008
A diabetes mellitus é uma perturbação em que os valores sanguíneos de glicose (um açúcar simples) são anormalmente altos dado que o organismo não liberta insulina ou utiliza-a inadequadamente.

 

As concentrações de glicose no sangue variam durante o dia, situando-se entre 70 a 110 mg/dl, aumentando após as refeições e voltando à normalidade passadas 2 horas. Os valores normais tendem a aumentar ligeira e progressivamente depois dos 50 anos de idade, sobretudo em pessoas que têm uma vida sedentária.

 

A insulina, uma hormona produzida pelo pâncreas, é a principal substância responsável pela manutenção dos valores adequados de açúcar no sangue. Esta é libertada quando existem elevadas concentrações de açúcar no sangue, como por exemplo depois de comer ou beber. Permite que a glicose seja transportada para o interior das células, de modo que estas produzam energia ou armazenem a glicose até que a sua utilização seja necessária. Dado que os músculos utilizam glicose para produzir energia, os valores de açúcar no sangue também diminuem durante a actividade física.

 

A diabetes mellitus tipo I caracteriza-se pela produção de insulina diminuída ou nula. Apesar dos elevados valores de açúcar no sangue, a maioria das células não podem utilizar o açúcar sem a insulina e, portanto, recorrem a outras fontes de energia, os corpos cetónicos. O exercício físico aumenta a capacidade de a glicose ir para as células, reduzindo assim a quantidade necessária de insulina.

 

Na diabetes mellitus tipo II o pâncreas continua a produzir insulina, em valores mais elevados ou menores que os normais. O organismo desenvolve uma insulinoresistência devido a um defeito nas células dos ilhéus (células produtoras de insulina) ou a uma disfunção dos receptores de insulina e o resultado é um relativo défice insulínico que leva a um aumento da concentração de glicose no sangue. Esta diminuição da sensibilidade do organismo à insulina ocorre predominantemente na musculatura esquelética. A maioria dos estudos demonstra que o exercício moderado praticado regularmente por pessoas diabéticas potencializa a acção insulínica na musculatura esquelética. O exercício ao aumentar a sensibilidade à insulina auxilia no controlo do estado glicémico.

 

No entanto, há que ponderar a redução da dose de insulina (4 a 6 UI) e um aporte suplementar (15gr de hidratos de carbono) antes do exercício físico, para evitar hipoglicémias. Deve-se usar calçado adequado ou outro equipamento, se necessário, evitar a realização de exercício em calor ou frio extremos, inspeccionar os pés após o exercício e evitar a realização do exercício em períodos de controlo metabólico deficiente.

 

Resumindo, o exercício físico diminui a resistência à insulina, baixa o nível de glicemia durante e após a actividade física, melhora o perfil lipídico, aumenta o consumo de energia e ajuda a perder peso, preserva a massa muscular, aumenta a força e flexibilidade e melhora a sensação de bem-estar.

 

 
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