Actividade física e saúde Imprimir e-mail
Escrito por Luis Craveiro   
26-Fev-2008
O homem é um animal e todos os animais têm padrões de vida para os quais a Natureza os fez. Quando se afastam desses comportamentos entram em sofrimento, afastam-se da saúde, da qualidade de vida e do seu equilíbrio com a mesma Natureza e aí surge a doença. Nestes padrões incluem-se os alimentares e os de movimento e AF regular entre muitos outros (afectivos, sociais, de sono, sexuais, etc.). Fruto das condições de vida e do chamado progresso tecnológico e sócio-económico, a população está cada vez mais sedentária. Ou seja, este progresso que deveria constituir uma vantagem para a humanidade está a revelar-se como fonte de doença por estar a ser mal utilizado e abusado.
Quando se analisa a importância de algo na saúde, neste caso da actividade física, há que fazê-lo numa dupla perspectiva:

A importância da actividade física para manter a saúde, ou seja para evitar o aparecimento de doenças várias - A isto chama-se prevenção primária

A importância da actividade física em quem já tem diversos problemas ou doenças para evitar que se agravem ou mesmo para auxiliar à sua recuperação - A isto chama-se prevenção secundária

O que é actividade física?

Actividade física e desporto são conceitos diferentes embora parecidos: o primeiro é mais abrangente que o segundo.

Pode-se considerar como actividade física tudo aquilo que implique movimento, força ou manutenção da postura corporal contra a gravidade e se traduza num consumo de energia. Este conceito é muito abrangente e mostra que o espectro da actividade física é muito vasto, quer em termos do tipo desta, quer da sua intensidade. Logo, pode-se praticar actividade física sem se praticar desporto. Como costumamos afirmar: "ser desportista é uma opção; ser activo é uma necessidade".

O conceito de desporto já implica regras, jogo, competição, mesmo que seja só de lazer ou recreação. Com excepção daqueles desportos em que não se pratica actividade física, como o xadrez, o bridge, etc., pode-se dizer que todos os desportos implicam actividade física, mas nem toda a actividade física implica a prática de desporto.

Quais os mínimos necessários de actividade física recomendada

Aquilo que se segue aplica-se à prevenção primária (ver acima). Está definido que o mínimo dos mínimos de AF que qualquer pessoa necessita é 30 minutos todos os dias de actividade física espontânea, independentemente de ser contínua ou fraccionada em dois ou três períodos, embora quanto mais melhor até certos limites. Andar a pé 30 minutos por dia já corresponde a este patamar mínimo e se for num passo mais enérgico será ainda melhor.

Para que toda a população compreenda as orientações actuais, elas costumam expressar-se através da chamada pirâmide da actividade física apresentada na figura 1. À medida que se sobe na pirâmide aumenta a intensidade das várias actividades físicas mas decresce a necessidade da sua frequência semanal. Por outras palavras: as actividades menos. intensas para proporcionarem os mesmos beneficios necessitam ser diárias ou quase e o inverso vai-se aplicando à medida que aumenta a intensidade. Assim, e porque o factor que mais se correlaciona com os riscos causados pela prática de actividade física é a sua intensidade, podese concluir que a actividade física ligeira a moderada, desde que diária ou quase, já proporciona ganhos muitos significativos de saúde, a muitos dos níveis referidos no quadro 1.

Por isso todos temos a necessidade de ser activos, pelo menos meia hora diária.

Se quisermos beneficiar ainda mais a saúde pode-se substituir ou acrescentar esta actividade, em 3 a 5 dias da semana, por actividade física formal em que se previlegie o trabalho cardiovascular (marcha mais rápida, corrida lenta, bicicleta, remo ou afins) e a flexibilidade. De referir que este tipo de esforços tanto se pode praticar em ambiente de health-club como no exterior. A intensidade destes programas depende de muitos factores pelo que a prescrição de exercício deve ser sempre personalizada em função das necessidades e preferências de cada um, tema que não aprofundaremos aqui por questões de espaço. Para ganhos adicionais deve-se incluir trabalho de força, vulgarmente designado de musculação, 2 a 3 vezes por semana, mas isso não dispensa o trabalho cardiovascular que é o principal. Isto já vai implicar maior consumo de tempo e deslocação a um local onde haja quem oriente este tipo de trabalho. Neste terceiro nível também está a prática desportiva recreativa em substituição de algumas das sessões de treino mais rígido para evitar a saturação, embora aqui seja mais difícil delimitar a intensidade mínima e máxima a que decorre o esforço.

A actividade física tem riscos ou inconvenientes?

Como tudo na vida, também a actividade física pode ter alguns riscos ou inconvenientes, mas que são largamente compensados pelas suas inúmeras vantagens. E convém referir que, em termos de actividade física para promoção da saúde, não considerando a competição desportiva, a maioria desses riscos são previsíveis e evitáveis desde que a actividade física praticada seja ADEQUADA a cada um. Esta adequação tem a ver sobretudo com três aspectos: - o tipo de actividades realizadas; - o contexto clínico e etário do praticante; - e sobretudo a intensidade a que a mesma decorre. É com base neste tipo de considerandos que se formulou a figura 2. Esta última mostra porque razão o trabalho cardiovascular se situa entre 3 a 5 vezes por semana quando a saúde é o principal objectivo. É que, pela análise da forma das curvas, pode-se verificar que a partir desses valores já não há muito mais ganhos de saúde e o risco de lesões aumenta desproporcionadamente. O mesmo acontece para a relação entre risco de lesão e intensidades da prática, duração de cada sessão e para a sua frequência semanal que obedecem ao mesmo tipo de curvas.



 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >