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Um recente estudo hispano-americano indica
que o consumo excessivo de água até prejudica a saúde.Água para matar a sede, para melhorar a saúde e para emagrecer. Todos
esses conceitos populares ajudam a pensar que quanto mais água bebemos melhor. Mas
cientistas dizem que a antiga fórmula está errada.
Segundo o Centro Superior de Investigações
Científicas da Espanha e o Instituto de Medicina dos Estados Unidos, “há
recomendações para a quantidade diária que o corpo necessita, mas afirmar que
um ser humano requer oito copos de água por dia como regra geral não tem
nenhuma base científica”, explicou o diretor do comitê espanhol, Alberto
Casteller.
O estudo indica que, em média, uma mulher deve ingerir
diariamente uns 2,7 litros e um homem cerca de 3,7 litros. Mas nessa contagem
entram todos os tipos de bebidas e até alimentos que contém água. O restante
sobra. Para cada caso é preciso considerar a temperatura ambiente, o tipo de
atividade diária e se há prática de exercícios físicos.
Sem emagrecimento
Os cientistas confirmam muitos dos conhecidos benefícios
da água - fortalecimento de pele, unhas e cabelos porque hidrata e permite a
eliminação de toxinas. Mas certos mitos como o emagrecimento acabaram
rechaçados.
O estudo também alerta para o perigo dessa crença. Destaca
o aumento dos casos de anorexia porque muitas pessoas estão ingerindo mais água
em substituição a outros alimentos.
“Essa moda está se transformando em um problema grave.
Nosso corpo tem 70% do peso em água. Para uma pessoa normal beber água
constantemente não tem muita transcendência, mas para certos casos pode ser um
risco mortal. Para quem tem pouco peso, há uma tendência à intoxicação por
água. A redução de sódio abaixo do limite provoca tremores, confusão, perda de
memória e pode haver colapso e morte”, explicou o cardiologista Juan José
Rufilanchas, chefe de cirurgia da Clínica Ruber, de Madri.
No processo de excesso de ingestão de água há uma reação
anormal das células do cérebro. Como o líquido é mais do que o corpo está
acostumado e necessita, os rins demoram mais tempo para filtrar.
Até completar a absorção, as células se incham e podem
levar a transtornos nervosos, coma e morte.
Nos casos de anorexia que atingem entre 0,5% e 1% das
mulheres de 14 a 25 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde, há trastornos
psíquicos, infecções graves, inflamações intestinais. A recomendação é de
consumir água mais 45 nutrientes presentes em alimentos.
Problemas cardíacos
Quem tem problemas cardíacos corre o risco sofrer edemas
por beber água demais. “Os doentes cardiovasculares precisam de diuréticos para
evitar água e sal. Não tem sentido beber mais. Mas aumentam o consumo pela
crença e modismo de que todos temos que beber mais água porque melhora a saúde.
Veja que barbaridade”, disse Rufilanchas.
Os cientistas espanhóis e americanos usaram como exemplo a
maratona de Boston de 2002 para confirmar o perigo do excesso de ingestão de
água.
Segundo o estudo, 488 atletas foram submetidos a um exame
de sangue antes e depois da corrida. Dos que fizeram o teste e chegaram à meta
à beira de um desmaio, cerca de 65% tinha baixo nível de sódio por ter bebido
água demais.
Médicos e cientistas, entretanto, ressaltam que água na
medida certa é positiva. A falta de hidratação afeta o metabolismo. No caso de
idosos, a porcentagem corporal cai até os 50% do peso e é responsável por
problemas gastrointestinais, cardiovasculares, renais, ósseos, hematológicos e
endocrinológicos.
Sobre a quantidade diária a beber, recomendam “ouvir o
corpo”, beber quando a sede aparecer.
Região Desporto
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