| Entrevista a Nelia Barreira |
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| Escrito por Miguel Medeiros | |
| 09-Abr-2008 | |
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Sim, a evolução
tem sido notória, não só ao nível técnico como também tacticamente. Esta
evolução tem sido gradual e, naturalmente, lenta, mas se se tiver em linha de
conta que não existe escalões de formação no futebol feminino, que o tempo de
treino é curto (3 horas semanais em média) e que os apoios são poucos, entre
outras condicionantes, é possível afirmar que o progresso tem sido considerável.
Quanto ao Santa Clara,
em meu entender, o progresso tem sido maior e isso resulta das condições que o
clube lhes tem proporcionado, temos tido a sorte de trabalhar com treinadores
de grande qualidade o que é, por si só, uma mais valia e por fim, a enorme
vontade de aprender, de evoluir, de alcançar sempre mais por parte das
jogadoras, têm sido autenticas profissionais.
RD: Um clube com dimensão como o Santa Clara, com
alguns problemas mais do que falados na comunicação social, apoia
convenientemente uma modalidade como o futebol feminino?
O nosso clube tem
atravessado momentos difíceis e só com a contribuição de todos será possível regressar
à solidez de outrora. Acredito no trabalho desenvolvido pela direcção, têm sido
incansáveis neste processo de recuperação. O futebol feminino tem tido sempre
uma porta aberta e quero aproveitar para agradecer ao Sr. Presidente Cruz de
Marques toda a disponibilidade.
Se me perguntasse
se o apoio é suficiente dir-lhe-ia categoricamente é o possível neste momento,
esperamos que melhore essencialmente num capítulo. Para que esta modalidade
persista tem que contar, para além do apoio já referido, com uma colaboração
incalculável dos directores ligados à modalidade, têm sido fundamentais no
trabalho desenvolvido.
RD: Em termos competitivos, qual o balanço que faz do
campeonato 2007/2008?
O balanço é, sem
dúvida, positivo. Houve alguma competitividade, em alguns jogos existiu
incerteza nos resultados o que é um factor importante. No entanto devo confessar
que o ideal seria existirem mais equipas com um nível competitivo superior,
gostamos de desafios, exigências cada vez maiores.
RD: Visto que já conquistaram a Taça e o Campeonato,
qual o próximo objectivo?
Os nossos
objectivos passam sempre por tentar ficar em primeiro lugar em todas as provas
em que competimos, portanto a próxima meta que se segue é vencer a Taça de S.
Miguel.
RD: Está provado que o Santa Clara tem uma óptima
equipa, comprovada pelos títulos conquistados. E a próxima época, já está a ser
preparada ou devemos ver mais do mesmo? Já se pensam em reforços?
É natural que
surjam alterações no plantel, mas neste momento nada está definido, até porque
a época ainda está a decorrer e queremos estabilidade acima de tudo. Trataremos
de tudo, calmamente, para que nada falhe.
Quanto às saídas
do plantel eu não coloco entraves a ninguém, só fica quem se sentir bem, quem
sentir esta camisola.
RD: Dada já estar ligada ao futebol feminino à
bastante tempo, gostávamos de saber se no seu entender existe alguma jogadora
que tem talento suficiente para ser profissional de futebol feminino? Alguma
jogadora que gostasse de destacar independentemente do clube em que joga?
O
profissionalismo no futebol feminino é quase uma utopia, infelizmente são
poucos os países onde isso é uma realidade. Quanto ao talento das jogadoras
temos, de facto, jogadoras talentosas, outras vencem fruto de muito trabalho, e
essas também teriam lugar numa liga profissional, tudo dependeria do espírito
de sacrifício e da capacidade de sofrimento.
Temos algumas
jogadoras com um nível muito acima da média, não vou focar nenhum nome em
especial porque não quero ser deselegante, jogadoras capazes de competir no
campeonato nacional, chegar à selecção nacional e quiçá ir mais longe, uma
tarefa que é ainda mais difícil pela insularidade inerente.
RD: E finalmente, existe algum tema que não tenha
sido abordado que gostasse de acrescentar?
Queria apenas
felicitar as minhas jogadoras pelo seu excelente desempenho, por mais este
campeonato e por dignificarem a camisola deste clube.
Queria,
também, salientar a fraca divulgação desta modalidade. Precisamos contar com o
apoio dos órgãos de comunicação social, são uma componente fundamental no desenvolvimento
do futebol feminino. A própria Associação de Futebol de Ponta Delgada tem
também uma palavra a dizer, talvez tomando iniciativa na sua divulgação. Só com
o empenho de todos será possível alcançar um maior desenvolvimento. |
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