| Governo vai regulamentar o Tuning |
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| Escrito por Luis Craveiro | |
| 12-Abr-2008 | |
Cansados
da «caça à multa» e de serem confundidos com street racers (pessoas que fazem
corridas ilegais de carros em locais públicos), os adeptos do tuning
manifestam-se em Lisboa no sábado pela legalização das transformações nos
automóveis, noticia a agência Lusa. O novo Código da Estrada, em vigor desde 2005, estipula que a transformação das características técnicas dos carros «é autorizada nos termos fixados em regulamento». No entanto, de acordo com o movimento «Tuning Legal Já», organizador do protesto, este documento nunca chegou a ser publicado, criando um vazio legal que originou uma «perseguição sistemática ao tuning».
A GNR e a PSP dizem
não ter dados disponíveis sobre as coimas aplicadas pela transformação indevida
de carros, que podem variar entre os 250 e os 1.250 euros. O certo é que as
multas têm feito diminuir a procura dos adeptos às cerca de 200 empresas do
sector, provocando «prejuízos na ordem dos 80 a 90 por cento», segundo
Alexandre Tomás, porta-voz do movimento.
De acordo com a União
Portuguesa de Tuning, que congrega 150 clubes a nível nacional, Portugal é o
único país da União Europeia onde as transformações às características técnicas
dos automóveis não estão regulamentadas. No entanto, no Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT), antiga Direcção-Geral de Viação, está já a ser elaborado um projecto de regulamento para enquadrar «todo o tipo de transformações em automóveis e seus reboques» que «vai analisar especificamente as questões relacionadas com o tuning».
«Ainda há
muita ignorância»
O professor de
Engenharia Mecânica no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, Fernando Pina da
Silva avisa que «não basta pôr licenciados em Direito a fazer leis», «é preciso
criar postos de homologação dos carros, com pessoas altamente qualificadas».
Sublinhando que algumas alterações nas viaturas podem ser perigosas, o
especialista considera que «o tuning não representa riscos acrescidos, se for
feito com competência técnica». Pina da Silva defendeu que o «Estado é co-responsável pela situação actual por não existir uma legislação adequada, o que acontece porque ainda há muita ignorância. Quanto mais se proíbe, mais as pessoas têm tentação de fazer, enquanto que se houver um processo transparente, com empresas certificadas e postos qualificados de homologação a segurança é muito maior».
Actualmente, as
alterações às características técnicas dos automóveis têm de ser submetidas à
aprovação do IMTT para serem homologadas, permitindo que o carro circule
legalmente. Apesar de existirem em Portugal cerca de quatro mil tuners,
em 2007 apenas foram apresentados no instituto «poucas dezenas» de pedidos,
tendo a maioria sido aprovada.
Alexandre Tomás, que
espera há três anos pela homologação das alterações que fez no seu carro,
afirmou que muitos adeptos desta actividade «não têm capacidade social e
financeira» para fazer o pedido, uma vez que é necessário apresentar um
projecto de transformação elaborado por um engenheiro, que pode custar entre
dois a três mil euros. Cerca de dois mil tuners deverão manifestar-se sábado em Lisboa, num protesto a pé entre a Praça do Marquês de Pombal e a Assembleia da República, onde esta sexta-feira uma delegação do movimento «Tuning Legal Já» vai entregar um documento a solicitar uma reunião com a tutela.
Portugal Diário
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